Uma hipótese para um autismo
DOI:
https://doi.org/10.31683/stylus.v1i50.1186Palavras-chave:
Psicanálise, Autismo, Corpo, Imaginário, R.S.I.Resumo
Esta proposta visa a aprofundar a temática do corpo na criança autista como objeto do discurso do psicanalista. No seminário A lógica da fantasia, Lacan identifica o Outro ao corpo, que, por sua vez, é por ele associado ao imaginário. Ora, no seminário Os não tolos erram, observa que: “O Imaginário tomado como meio, está aí o verdadeiro lugar do amor” (lição de 18 de dezembro de 1973). Na medida em que na literatura e na clínica identificamos a dificuldade da constituição do Outro em um autismo, poderíamos levantar a hipótese de que, nele, a criança que se tapa os ouvidos para se proteger do verbo, como sugere Lacan quanto a essa clínica, o faz porque Real e Simbólico estão absolutamente soltos, sem que um Imaginário, justamente o que dá corpo, os intermedeie. Nem mesmo em um nó simples, não borromeano, em que os registros ficam um do lado do outro, nem mesmo aí se entrelaçam, pois falta esse Imaginário tomado como meio, que seria o verdadeiro lugar do amor a dar corpo-consistência. Para desenvolvê-lo, também é necessário verificar de que amor Lacan está falando. Tentar avançar um pouco com o que se pode estudar na literatura e observar da clínica, quando há o desejo do analista que toma a criança como um sujeito independente de sua patologia, é não apenas procurar enriquecer a teoria da clínica em psicanálise, mas também, e talvez sobretudo, buscar meios teórico-clínicos para enfrentar os discursos que nos querem convencer da criança generalizada.
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