Um enxame de Sanharó
Isso Passa?
DOI:
https://doi.org/10.31683/stylus.v1i52.1324Palavras-chave:
Testemunho, Passe, Fim de análise, Poética, TransmissãoResumo
Este trabalho trata-se de um primeiro testemunho de passe realizado a partir da função de Analista de Escola, no âmbito de uma Escola de Psicanálise. Uma escrita efeito de pontos de passagens, interroga: como uma análise pode operar uma ruptura, fazendo o saber aparecer como corte, furo, operação de linguagem? Como uma experiência analítica bordada em torno de um vazio, de dados de uma vida desviados pela poética da língua, pode fazer passar do singular, um dizer estrutural? Neste fragmento, um “medo de apanhar (ao falar)” dá uma forma enunciativa contingente a roupagem fantasmática que insiste nas diferentes versões da apresentação sintomática nos embaraços com a fala, funcionando como defesa diante do desencontro apalavrado com o Outro. Sob transferência, a fala sustenta a ilusão neurótica de um Sujeito Suposto Saber dominar a língua. Pela operação analítica, uma desmontagem desvela a solidão estrutural, pela qual pode-se deixar ser apanhada pelo Real da língua. Nessa travessia, a equivocidade do falar, antes entrave, se reinscreveria como uma espécie de sinthoma, passando a operar como causa, como modo singular de se virar com o impossível de dizer? A aposta ética no passe é que um testemunho, apanhado pelas travessuras d’alíngua, possa, em sua própria forma, dar notícias do modo como o Inconsciente se presentifica: não como conteúdo, mas como ato de linguagem – devolvendo à língua, em nosso campo, algo de sua potência poética, performática, inventiva e não hierárquica. Contrabandear com a-língua, desviar da norma do sentido unívoco - não para que o enxame passe, mas para passar o enxame adiante.
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Referências
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