O ensino e a “dovinização” da psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.31683/stylus.v1i52.1285Palavras-chave:
Ensino da psicanálise, Jacques Lacan, Estilo, Dovinização, TransmissãoResumo
O artigo analisa o ensino da psicanálise a partir de dois momentos decisivos da obra de Jacques Lacan: A psicanálise e seu ensino (1957) e Meu ensino, sua natureza e seus fins (1968). A partir desses textos, investiga-se o modo como Lacan articula o que a psicanálise ensina e sob quais condições esse ensino pode se sustentar. O trabalho situa essas formulações no contexto contemporâneo da transmissão psicanalítica, marcado pela proliferação de cursos, dispositivos formativos e pela crescente exposição de psicanalistas nas redes sociais, frequentemente orientados por uma lógica de consumo e visibilidade. Nesse cenário, propõe-se o neologismo “dovinização” para nomear o processo de higienização teórica que elimina a negatividade própria da experiência do inconsciente, transformando o saber psicanalítico em mercadoria cultural. Defende-se, por fim, que a formação analítica não se reduz à capacitação técnica ou à difusão de conteúdos, mas se sustenta no estilo, entendido como resíduo singular da análise pessoal, capaz de preservar o caráter subversivo da psicanálise.
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Referências
Lacan, J. (1998a). A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. In J. Lacan. Escritos (pp. 496-533). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. (Trabalho original publicado em 1957)
Lacan, J. (1998b). A psicanálise e seu ensino. In J. Lacan. Escritos (pp. 438-464). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. (Trabalho original publicado em 1957)
Lacan, J. (2006). Meu ensino. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. (Trabalho original publicado em 1968)
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