Do sofrimento generalizado à ética do singular
ecos da experiência analítica na pólis.
DOI:
https://doi.org/10.31683/stylus.v1i51.1222Palavras-chave:
Sofrimento, Neoliberalismo, Clínica, Psicanálise, ÉticaResumo
O presente artigo analisa como o sofrimento é capturado e instrumentalizado pela aliança entre os discursos hegemônicos do neoliberalismo, do cientificismo e da medicalização, e as consequências disso na produção de subjetividades adaptadas, produtivas e felizes. Nesse contexto, observa-se a ascensão de práticas clínicas voltadas à produtividade, ao bem-estar mensurável e à adaptação social, promovendo o apagamento de dimensões fundamentais da experiência humana. Em contraposição, a psicanálise, ao sustentar um lugar de escuta do sujeito do desejo, posiciona-se de forma crítica e dissonante diante da colonização e da generalização do sofrimento. Essa diferença repercute diretamente na ética que orienta a práxis do psicanalista, colocando-o em constante tensão com os discursos dominantes da cultura, da ciência e do mercado. Por fim, o artigo explora as consequências dessa distinção não apenas no plano clínico, mas também nos âmbitos ético e político, à medida que o psicanalista se constitui como figura discursiva que introduz uma fissura na normatividade contemporânea.
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