Em psicanálise, a angústia tem lógica?

Introduzindo uma leitura lógica modal da angústia na direção do tratamento

Autores

  • João Pedro Passos de Queiroz Rede Clínica do Laboratório Jacques Lacan - IP/USP e Formações Clínicas do Campo Lacaniano - SP https://orcid.org/0000-0001-8412-9108

DOI:

https://doi.org/10.31683/stylus.v1i49.1130

Palavras-chave:

Psicanálise, Angústia, Lógica modal, Tratamento

Resumo

Partindo da hipótese de que a relação com a angústia se transforma na medida em que uma análise avança, neste artigo propomo-nos acompanhar, de maneira introdutória e ensaística, os desdobramentos lógicos da angústia no interior do tratamento psicanalítico à luz das elaborações de Lacan sobre a lógica modal. Com uma inicial revisão do lugar da angústia nas teorias de Freud e Lacan, a consideração por seu papel central na constituição subjetiva nos permite atribuir à angústia o estatuto lógico do necessário, não apenas na formação do sujeito, mas na direção de uma análise. No entanto, a desmontagem da fantasia seria homóloga à elaboração de outra relação com o campo pulsional, o que implicaria uma virada clínica e lógica na relação com a angústia: não mais necessária, mas uma angústia possível. A passagem lógica do necessário ao possível, entretanto, demandaria a consideração clínica pelo impossível próprio à lógica não toda fálica. Assim, seria possível sustentar, ao fim de uma análise, uma angústia possível, que permita, nos termos de Freud, amar e trabalhar, e, nos termos de Lacan, desejar e gozar.

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Referências

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Publicado

03-12-2024

Como Citar

de Queiroz, J. P. P. (2024). Em psicanálise, a angústia tem lógica? Introduzindo uma leitura lógica modal da angústia na direção do tratamento. Revista De Psicanálise Stylus, 1(49), pp. 31–43. https://doi.org/10.31683/stylus.v1i49.1130

Edição

Seção

TRABALHO CRÍTICO COM OS CONCEITOS