Possibilidade da psicanálise no serviço de plantão psicológico

um lugar de retificação subjetiva

  • Maria Lúcia Mantovanelli Ortolan
  • Maíra Bonafé Sei Universidade Estadual de Londrina
  • Paulo Victor Bezerra
  • Kawane Chudis Victrio
Palavras-chave: Plantão psicológico, Psicanálise, Escuta psicanalítica

Resumo

O plantão psicológico é um espaço de escuta e acolhimento da experiência do sujeito, a fim de clarificar sua demanda. Almeja-se aqui refletir sobre essa modalidade. A aproximação entre o plantão psicológico — uma modalidade de atendimento psicológico da pós-modernidade — e a psicanálise nas instituições interroga o atendimento de plantão como um dos tempos do tratamento psicanalítico: a retificação subjetiva. A terapêutica em plantão, com o auxílio de alguns dispositivos analíticos, tais como o convite à associação livre, pode possibilitar ao sujeito, para além de se queixar, também demandar, clarificando uma demanda de análise. Assim, o plantão apresenta-se como uma possibilidade de porta de entrada para uma análise psicanalítica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Lúcia Mantovanelli Ortolan

Psicóloga, Especialista em Psicanálise e os desafios da contemporaneidade e em Saúde da Família.

Maíra Bonafé Sei, Universidade Estadual de Londrina

Psicóloga, Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em Psicologia Clínica pelo IP-USP, Professora Adjunta do Departamento de Psicologia e Psicanálise da UEL.

Paulo Victor Bezerra

Psicólogo, Mestre e Doutor em Psicologia e Sociedade pela UNESP-Assis.

Kawane Chudis Victrio

Psicóloga, Especialista em Psicanálise e os desafios da contemporaneidade.

Referências

Braga, T. B. M., Mosqueira, S. M., & Morato, H. T. P. (2012). Cartografia clínica em plantão psicológico: investigação interventiva num projeto de atenção psicológica em distrito policial. Temas em Psicologia, 20(2), 555-570. Recuperado de http://dx.doi.org/10.9788/TP2012.2-20

Campos, A. P. S., & Cury, V. E. (2009). Atenção psicológica clínica: encontros terapêuticos com crianças em uma creche. Paidéia, 19(42), 115-121. Recuperado de http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2009000100014

Cazanatto, E., Martta, M. K., & Bisol, C. A. (2016). A escuta clínica psicanalítica em uma instituição pública: construindo espaços. Psicologia: Ciência e Profissão, 36(2), 486-496. Recuperado de http://dx.doi.org/10.1590/1982-3703000742014

Celes, L. A. (2005). Psicanálise é trabalho de fazer falar, e fazer ouvir. Psychê, 9(16), 25-48.

Conselho Federal de Psicologia (1988). Quem é o psicólogo brasileiro. São Paulo: Edicom.

Costa, L. S., Carvalho, M. C. N., & Wentzel, T. R. (2009). Intervenção psicológica focal em adolescentes autores de ato infracional. Ciências & Cognição, 14(2), 130-146.

Coutinho, L. G., & Rocha, A. P. R. (2007). Grupos de reflexão com adolescentes: elementos para uma escuta psicanalítica na escola. Psicologia Clínica, 19(2), 71-85.

Dutra, A. G. C., & Franco, I. F. (2007). Um estudo sobre a psicanálise aplicada em um hospital geral. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 59(2), 270-282.

Farinha, M. G., & Souza, T. M. C. (2016). Plantão psicológico na delegacia da mulher: experiência de atendimento sócio-clínico. Revista da SPAGESP, 17(1), 65-79.

Figueiredo, L. C. M. (1995). Revisitando as psicologias: da epistemologia à ética nas práticas e discursos psicológicos. São Paulo: Educ; Petrópolis: Vozes.

Foster, M. (2010). Associação livre de ideias: via régia para o inconsciente – a especificidade do método. Jornal de Psicanálise, 43(79), 201-216.

Freud, S. (1976). Linhas de progresso na terapia analítica. In S. Freud. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. XVII, pp. 171-181). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1919)

Furigo, R. C. P. L., Sampedro, K. M., Zanelato, L. S., Foloni, R. F., Ballalai, R. C., & Ormrod, T. (2008). Plantão psicológico: uma prática que se consolida. Boletim de Psicologia, 58(129), 185-192.

Gonçalves, L. O., Farinha, M. G., & Goto, T. A. (2016). Plantão psicológico em unidade básica de saúde: atendimento em abordagem humanista-fenomenológica. Revista da Abordagem Gestáltica, 22(2), 225-232.

Green, A. (2004). O silêncio do psicanalista. Psychê, 8(14), 13-38.

Guedes, M. A. (2006). Intervenções psicossociais no sistema carcerário feminino. Psicologia: Ciência e Profissão, 26(4), 558-569. Recuperado de http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932006000400004

Guirado, M. (2006). A psicanálise dentro dos muros de instituições para jovens em conflito com a lei. Boletim de Psicologia, 56(124), 53-66.

Kobori, E. T. (2013). Algumas considerações sobre o termo psicanálise aplicada e o método psicanalítico na análise da cultura. Revista de Psicologia da Unesp, 12(2), 73-81.

Kupfer, M. C. M. (2005). Psicanálise e instituições. In I. B. Vita, & F. C. B. Andrade. (Des)fiando a trama: a psicanálise nas teias da educação (pp. 27-35). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Lacan, J. (1971). Ato de fundação. In J. Lacan. Outros escritos (pp. 235-264). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1964)

Lacan, J. (1988). O seminário, livro 7: a ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1960)

Laplanche, J. (1987). Novos fundamentos para a psicanálise. São Paulo: Martins Fontes.

Lerner, A. B. C., Fonseca, P. F., Sayão, Y., & Machado, A. M. (2014). Plantão institucional: uma modalidade de intervenção face ao mal-estar contemporâneo na educação. Estilos da Clínica, 19(1), 199-208.

Macedo, M. M. K., & Falcão, C. N. B. (2005). A escuta na psicanálise e a psicanálise da escuta. Psychê, 9(15), 65-76.

Monteiro, C. P., & Queiroz, E. F. (2006). A clínica psicanalítica das psicoses em instituições de saúde mental. Psicologia Clínica, 18(1), 109-121.

Monteiro, M. P. (2012). Novos desafios para a psicanálise. Cógito, 13, 27-31.

Moretto, M. L. T., & Priszkulnik, L. (2014). Sobre a inserção e o lugar do psicanalista na equipe de saúde. Tempo Psicanalítico, 46(2), 287-298.

Mota, S. T., & Goto, T. A. (2009). Plantão psicológico no CRAS em Poços de Caldas. Fractal: Revista de Psicologia, 21(3), 521-529. Recuperado de http://dx.doi.org/10.1590/S1984-02922009000300007

Mozena, H. (2009). Plantão psicológico: um estudo fenomenológico em um serviço de assistência judiciária (Dissertação de mestrado). Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas.

Nasio, J. D. (1999). Como trabalha uma psicanalista?. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Ortolan, M. L. M., & Sei, M. B. (2016). Plantão psicológico no serviço-escola de psicologia da Universidade Estadual de Londrina. Revista Brasileira de Extensão Universitária, 7(1), 29-35. Recuperado de https://doi.org/10.24317/2358-0399.%25Yv7i1.3079

Pan, M., Zonta, G. A., & Tovar, A. (2015). Plantão institucional: relato de experiência de uma intervenção psicológica na UFPR. Psicologia em Estudo, 20(4), 555-562. Recuperado de http://dx.doi.org/10.4025/psicolestud.v20i4.27594

Ramos, M. T. (2012). Plantão psicológico em instituição de longa permanência para idosos: um estudo fenomenológico (Dissertação de mestrado). Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas.

Rasera, E. F., & Issa, C. L. G. (2007). A atuação do psicólogo em ONG/Aids. Psicologia: Ciência e Profissão, 27(3), 566-575. Recuperado de http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932007000300015

Rosa, M. D. (2004). A pesquisa psicanalítica dos fenômenos sociais e políticos: metodologia e fundamentação teórica. Revista Mal-Estar e Subjetividade, 4(2), 329-348.

Rosário, A. B., & Kyrillos Neto, F. (2015). Plantão psicológico em uma clínica-escola de psicologia: saúde pública e psicanálise. A Peste: Revista de Psicanálise e Sociedade e Filosofia, 7(1), 37-48. Recuperado de https://doi.org/10.5546/peste.v7i1.30463

Rosenberg, R. L. (Org.). (1987). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU.

Roudinesco, E., & Plon, M. (1998). Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar.

Schmidt, M. L. S. (2006). Continuidade e ruptura: interpretação da história do Serviço de Aconselhamento Psicológico do Instituto de Psicologia da USP. Mnemosine, 2(2), 1-19.

Scorsolini-Comin, F. (2014). Plantão psicológico centrado na pessoa: intervenção etnopsicológica em terreiro de umbanda. Temas em Psicologia, 22(4), 885-899. Recuperado de http://dx.doi.org/10.9788/TP2014.4-16

Scorsolini-Comin, F. (2015). Plantão psicológico e o cuidado na urgência: panorama de pesquisas e intervenções. Psico-USF, 20(1), 163-173. Recuperado de http://dx.doi.org/10.1590/1413-82712015200115

Silva, R. F. (2014). Efeitos terapêuticos e analíticos: qual é o objetivo da análise lacaniana?. In C. Riolfi. Psicanálise: a clínica do Real (pp. 205-215). Barueri: Manole.

Simões, C. L. F. (2011). A clínica da urgência subjetiva: efeitos da psicanálise em um pronto atendimento (Dissertação de mestrado). Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Soares, J. M. (2007). Possibilidades e limites do tratamento psicanalítico da psicose infantil em instituições de saúde mental (Dissertação de mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo.

Soares, T. C. (2005). “A vida é mais forte do que as teorias” o psicólogo nos serviços de atenção primária à saúde. Psicologia: Ciência e Profissão, 25(4), 590-601. Recuperado de http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932005000400008

Stevens, A. (2007). A instituição: prática do ato. In Associação do Campo Freudiano (Org.), Pertinências da psicanálise aplicada (pp. 76-85). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Szymanski, H. (2004). Plantão psicoeducativo: novas perspectivas para a prática e pesquisa em psicologia da educação. Psicologia da Educação, (19), 169-182.

Publicado
2020-10-08
Como Citar
Ortolan, M. L. M., Sei, M. B., Bezerra, P. V., & Victrio, K. C. (2020). Possibilidade da psicanálise no serviço de plantão psicológico: um lugar de retificação subjetiva. Revista De Psicanálise Stylus, (39), pp. 147-158. https://doi.org/10.31683/stylus.vi39.440
Seção
DIREÇÃO DO TRATAMENTO